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Dr. Carlos Dorilêo
Médico do Exercício e do Esporte
CRM 125817 / TEOT 11835 / RQE 60153 & 65955
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Quando o Exercício é um Remédio

No ano de 2010, o Congresso Anual do Colégio Americano de Medicina do Exercício e do Esporte foi o palco do Primeiro Congresso Mundial de “Exercise is Medicine”, iniciativa que visa a promoção de Saúde, Qualidade de Vida e o tratamento de doenças através do exercício. A tradução livre – Exercício é remédio, ilustra bem o intuito dos organizadores do evento. Dentre as principais apresentações, tivemos como destaque:

  1. Atuação do exercício nas patologias da Senilidade – BDNF (Brain-derived neurotrophic factor) – Fator neurotrófico derivado do cérebro, é liberado pelo paciente durante a contração muscular na atividade física, em estudos, melhorou a memória de curto tempo, o que comprova a eficácia do exercício no controle das patologias Neurológicas e da Senilidade;

  2. A ação do exercício no processo inflamatório das doenças crônicas, o exercício é um anti-inflamatório, sendo o músculo um órgão endócrino, responsável por liberar, durante as contrações musculares no exercício, citocinas anti-inflamatórias (IL-6 e IL-1) e inibir a liberação de TNF (citocina pró inflamatória, que aumenta a resistência insulínica) – 01/06/10 - 13:45-14:45 hs – Bengt Saltin – Universityof Copenhagen, Denmark – Exercise, Why Does it Work.



    Imagens demonstrando o aumento de IL-6 durante o exercício

    “Estudos da Universidade de Copenhagen citados no Congresso demonstraram uma associação entre o sedentarismo e a inflamação sistêmica em sujeitos saudáveis, inclusive com elevação de PCR sanguíneo.”

    O exercício regular reduz níveis de PCR sanguíneo.



  3. Mitos da Medicina Esportiva – o Alongamento – o papel do alongamento na performance e no risco de lesões "To stretch or not to stretch: the role of stretching in injury risk and performance (tutorial lecture) – David G. Behm. Memorial Univeristyof New Foundland, St John`s NL, Canada & Malochy P. Mchugh, FACSM, Nicholas Institute of Sports Medicine and Athletic Trauma, New York, NY." Especialistas de Nova York e do Canadá discutiram os resultados de Meta-análises com base na medline e em base de todos os artigos relacionados com alongamento e lesão no período pós 1990 até 2008) e chegaram a conclusão que:

    • Fortes evidências clínicas de que o alongamento Pré-atividade física NÃO PREVINE LESÕES;
    • Existem evidências de que alongar em outros períodos PODE SER BENÉFICO, PORÉM, SÃO NECESSÁRIOS MAIS ESTUDOS.



Mitos da medicina esportiva



  • Alongamento previne lesões;
  • Aumento da flexibilidade previne estiramentos;
  • Lesões musculares – associadas, principalmente a dois fatores = rigidez muscular e pouca ADM;
  • Aspecto psicológico – alongamento é benéfico devido a sensação de bem estar que vem acompanhado de sua prática;
  • Alongamento comumente é realizado antes da atividade física;
  • Desde os anos 80 ele é amplamente preconizado previamente à atividade física como um método de prevenção de lesões e aumento de performance.

Questionamentos:

  • Afeta performance?
  • Provoca lesões musculares?
  • Previne a dor muscular de início tardio?
  • Atenua a dor do exercício?
  • Deve ser feito antes ou após a atividade física?

Na revisão, muitos artigos contra-indicam o alongamento pré atividade fisica:

  • Shrier et al 1999; Shrier et al 2005 – estudos indicam que o alongamento estático pré atividade física aumenta o risco de lesão;
  • Murphy et al 1991 – alongamento estático pré-exercício não facilita a prevenção de lesões.

Shrier I (1999) Stretching before exercise does not reduce the risk of local muscle injury: a critical review of the clinical and basic science literature. Clinical Journal of Sports Medicine 9 (4):221-227.
Shrier I (2000) Stretching before exercise: na evidence based approach. British Journalof Sports Medicine 34: 324-325.
Shrier I (2005) When and whom to stretch? Gauging the benefits and draw backs for individual patients. The Physicianand Sports Medicine 33 (3): 22-26.



Na discussão, uma ressalva...

  • Idosos;
  • Atletas de ginástica olímpica, ou esporte que demanda grande ADM devem fazer alongamento antes da atividade física.

O que é recomendado (Amako, et al. 2003):

  • Alongamento pré e pós exercício: - demonstram evidências de que alongamento regular (separado da atividade física) é benéfico.

Amako M, Oda T, Masuoka K, Yokoi H, Campisi P. Effect of statics tretching on prevention of injuries for military recruits. Mil Med 2003; 168:442-446.

Consenso - 100% dos estudos nos quais foi avaliado o alongamento fora do exercício, apresentaram prevenção das lesões.




Estudos sugerindo que o alogamento INDEPENDENTE do exercício pode prevenir lesões:


Hilyer et al (1990); Hartig et al (1999); Amako et al (2003):

  • Alongamento regular, fora do treino, previne lesões;
  • Hartig et al (1999) – soldados que alongaram 3x ao dia, além do pré treino, apresentaram menos lesões do que o grupo que só alongou pré exercício;

Conclusões da mesa redonda em Baltimore:

  • Alongamento excessivo produz dano ao tecido muscular;
  • As alterações de comprimento do músculo aumentam sua complacência, mas não necessariamente com a resistência do tecido à lesão;
  • Mais importante do que o alongamento, é a capacidade muscular de absorver energia, e quanto mais alongado, menor a capacidade de absorção de energia;
  • Stretching immediately before exercise is different from stretching atother times. – Alongar antes do exercício é diferente do que alongar em outras situações;
  • Stretching immediately before exercise does not appear to prevent injury. – Alongar antes do exercício não previne lesões;
  • Regular stretching that is not done immediately before exercise may prevent injury. – o alongamento regular, não realizado antes do exercício, pode prevenir lesões.

Foto Casa Branca
Passeio na Casa Branca com Dr Nabil Guorayeb e esposa (Cardiologia do Esporte – Instituto Dante Pazannese) e com Dr Ricardo Eid (Medicina Esportiva– Escola Paulista de Medicina).
Medicina do Esporte
Instituto de Ortopedia USP

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